26 de janeiro de 2013

Cerâmicas de Picasso com Engobes

Pablo Picasso - Still Life, 1953



Um pouco sobre a técnica do Engobe


Engobe – (slip em inglês) é uma técnica milenar, utilizada pelos homens primitivos para coloração de peças e fundos para pintura, muito antes da invenção dos esmaltes. É uma das maneiras mais simples de se colorir e decorar a superfície de uma peça.

Basicamente, um engobe é a mistura de argila ou corpo de argila com água, de consistência cremosa (como a de um iogurte líquido), à qual se pode acrescentar óxidos corantes e/ou pigmentos para produzir variadas tonalidades. Normalmente utilizado em peças cruas (ponto de couro), mas pode também, de acordo com alguns ceramistas, ser aplicado em peças biscoitadas.

O engobe é aplicado sobre a argila crua e úmida, em ponto de couro, para que ambos encolham juntos durante a secagem. Deve ser aplicado com pincel macio e “gordinho” duas ou três vezes, em direções diferentes para cobrir bem a superfície. Quando se usa um engobe claro sobre argila escura, é necessário uma terceira camada. Também podem ser aplicados por imersão, rolagem ou pulverização.

A superfície pintada, ainda em ponto de couro, pode então ser brunida ou polida. Com uma pequena pedra polida você pode brunir a superfície repetidas vezes. Quanto mais polida a peça, mais acetinada será após a queima.

Peças engobadas ainda em ponto de couro permitem o emprego de várias técnicas, dentre as quais:

Sgrafitto: quando o engobe estiver seco, pode-se riscá-lo com uma ferramenta de ponta. Os desenhos terão a cor do corpo da peça.

Máscaras: com um papel (pode ser jornal) molhado e no formato desejado, cobre-se a peça. Por cima, pinta-se com engobe. As máscaras e os engobes podem ser sobrepostos. Retira-se as máscaras e queimam-se as peças.

Incrustação: faz-se riscos grossos no corpo cerâmico ainda em ponto de couro. Aplica-se com pincel o engobe dentro dos sulcos. Quando a peça estiver bem seca, raspa-se a superfície retirando os excessos dos sulcos.

Outra possibilidade é usar o engobe sobre peças cruas e secas (ponto de osso) ou ainda sobre peças biscoitadasNeste caso, deve-se pesquisar e alterar a composição do engobe que deverá ser aplicado ainda mais líquido. Há sempre o perigo de descascar, pois está se usando uma argila que ainda vai encolher sobre outra que já encolheu. Nenhuma das técnicas acima descritas pode ser usada pois o engobe fatalmente vai descascar. Usa-se apenas para colorir algumas partes da superfície já biscoitada.

Depois de biscoitada, uma peça decorada com engobe recebe geralmente um esmalte transparente.

Esse método deu margem à criatividade e os povos usaram e ainda usam hoje em dia com belos resultados. Hoje com mais recursos quando acrescidos de óxidos.


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Mais Obras de Picasso com Engobes




Centaur, 1950


Figures, 1956


Bearbed Yan, 1963

Vase with two high handles, 1952


Woman Lamp, 1955


Saiba mais: Ceramicanorio; Lacad; Alumiar


4 comentários:

adela yannini disse...

Lindo!!!! eu amo.
Beijos

Vitória Guidugli disse...

Olá, gostaria de saber a que temperatura deve ser queimado a cerâmica branca decorada com engobe?
Obrigada, Ana

LULUCA Ariela disse...

Olá! Seu blog está lindo!
Será que pode ajudar? Tenho uma dúvida quanto ao engobe. Uma peça com engobe pode ser usada no dia a dia nos itens de cozinha, tais como pratos e xícaras? Ou seja posso colocar alimentos e liquidos que irei ingerir sobre peças com engobes? Grata.

Valter Perez Navarro disse...

Lindo Blog! Demonstra a comunhão com a arte, em perfeito equilibrio e harmonia... "Parabéns"